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← Everything is a Remix Part 4 (Tudo é um Remix, Parte 4)

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Subtitles translated from English. Showing Revision 6, created 03/06/2012 by prcr .

  1. Title:
    Everything is a Remix Part 4 (Tudo é um Remix, Parte 4)
  2. Description:

    O nosso Sistema de Leis não reconhece a natureza derivativa da criatividade. Pelo contrário, as ideias são tidas como propriedade, como algo único e original com limites bem definidos. Mas as ideias não são assim tão arrumadinhas. Elas sobrepõem-se, entrelaçam-se, emaranham-se. E quando o sistema entra em conflicto com a realidade... o sistema começa a falhar.

    Se gostou desta série, por favor apoie o meu próximo projeto, This is Not a Conspiracy Theory (Isto Não é Uma Teoria da Conspiração), no KickStarter.
    http://www.kickstarter.com/projects/kirby/this-is-not-a-conspiracy-theory

    Compre a música deste episódio aqui:
    http://www.everythingisaremix.info/p4_soundtrack/

    Agradeço à iStockphoto
    http://www.istockphoto.com/

    Se reparar em algum erro neste video, agradeceria se deixasse o seu comentário em baixo.

    Recomendo vivamente que clique no botão HD.

  3. (Obrigado à iStockphoto por contribuir

  4. com imagens para este episódio. Vejam-nas

  5. em iSotckPhoto.com)

  6. Os genes nos nossos corpos podem ser encontrados

  7. há mais de três milhões e meio de anos

  8. num só organismo: LUCA,

  9. o último antepassado universal comum.

  10. Enquanto se reproduzia, os genes de LUCA eram copiados e copiados,

  11. e copiados e copiados,

  12. às vezes com erros — transformavam-se.

  13. Com o tempo isto produziu todas

  14. as milhares de milhões de espécies de vida na terra.

  15. Algumas destas adoptaram a reprodução sexual,

  16. ao combinar os genes de indivíduos,

  17. e em conjunto, as formas de vida com melhor adaptação prosperaram.

  18. Isto é evolução. Copiar, transformar e combinar.

  19. E a cultura evolui de modo semelhante,

  20. mas os elementos não são genes, são "memes" —

  21. ideias, comportamentos, habilidades.

  22. Memes copiam-se, transformam-se e combinam-se.

  23. E as ideias dominantes do nosso tempo

  24. são os memes que se espalham mais.

  25. Isto é evolução social.

  26. Copiar, transformar e combinar.

  27. É como somos, é como vivemos,

  28. e é claro, é como criamos.

  29. As novas ideias evoluem de ideias anteriores.

  30. Mas o nosso Sistema de Leis não reconhece

  31. a natureza derivativa da criatividade.

  32. Ao invés, ideias são tidas como propriedade,

  33. como algo único e original

  34. com limites bem definidos.

  35. Mas as ideias não são assim arrumadinhas.

  36. Elas sobrepõem-se, entrelaçam-se,

  37. emaranham-se. E quando o sistema

  38. entra em conflicto com a realidade...

  39. o sistema começa a falhar.

  40. Tudo é um Remix

  41. Quarta Parte: Falha do Sistema

  42. Durante quase toda a nossa história

  43. as ideias eram livres.

  44. As obras de Shakespeare, Gutenberg,

  45. e Rembrandt podiam ser copiadas livremente

  46. e recriadas.

  47. Mas o crescente domínio da economia de mercado,

  48. onde os produtos do nosso trabalho intelectual

  49. são comprados e vendidos,

  50. produziu um efeito secundário indesejável.

  51. Digamos que alguém inventa uma lâmpada de luz melhor.

  52. O seu preço precisa cobrir

  53. não só o custo de produção,

  54. mas também o custo de inventar

  55. a coisa, em primeiro lugar.

  56. Agora digamos que um concorrente começa a fabricar

  57. uma cópia competitiva.

  58. O concorrente não precisa cobrir

  59. os custos de produção

  60. pelo que a sua versão pode ser mais barata.

  61. Como resultado: criações originais

  62. não conseguem competir com o preço das cópias.

  63. Nos Estados Unidos a introdução

  64. dos direitos de autor e de patentes

  65. tinha como objectivo tratar desse desequilíbrio.

  66. Direitos de autor para a expressão;

  67. Patentes para as invenções.

  68. Ambas destinavam-se a estimular

  69. a criação e a proliferação

  70. de novas ideias, proporcionando um breve e limitado

  71. período de exclusividade, um período em que mais ninguém

  72. podia copiar o trabalho.

  73. Isto deu aos criadores a possibilidade

  74. de recuperar o seu investimento e obter lucro.

  75. Depois disso o seu trabalho entraria no domínio público,

  76. onde se poderia difundir amplamente

  77. e ser livremente recriado.

  78. E era este o objectivo:

  79. um domínio público sólido,

  80. um banco de ideias acessível, produtos,

  81. artes e entretenimento ao alcance de todos.

  82. A crença essencial estava no bem comum,

  83. aquilo que beneficiaria todos.

  84. Mas com o tempo, a influência dos mercados

  85. transformou este princípio em algo bem diferente.

  86. Pensadores influentes propuseram que

  87. as ideias se tornassem numa forma de propriedade,

  88. e esta convicção com o tempo produziu

  89. um novo termo... propriedade intelectual.

  90. Este era um meme que veio a multiplicar-se amplamente,

  91. em parte graças a um capricho da psicologia humana

  92. conhecido por Aversão à Perda.

  93. Em poucas palavras, detestamos perder o que temos.

  94. As pessoas tendem a pôr um valor muito mais alto às perdas

  95. do que aos ganhos.

  96. Assim os benefícios que obtemos

  97. ao copiar o trabalho dos outros

  98. não nos causa grande transtorno,

  99. mas quando são as nossas ideias a ser copiadas,

  100. entendemos isso como uma perda e tornamo-nos possessivos.

  101. Por exemplo, a Disney fez uso alargado

  102. do domínio público.

  103. Histórias como a Branca de Neve, o Pinóquio

  104. e a Alice no País das Maravilhas todas foram retiradas

  105. do domínio público.

  106. Mas quando chegou a hora dos direitos de autor

  107. dos primeiros filmes Disney expirarem,

  108. pressionaram para que o termo dos direitos fosse prorrogado.

  109. O artista Shepard Fairey tem usado frequentemente

  110. obras existentes no seus trabalhos.

  111. Esta prática veio a público quando ele foi

  112. processado pela imprensa Norte Americana

  113. por basear o seu famoso poster Obama Hope

  114. numa foto da imprensa.

  115. No entanto, quando a sua imagem de marca

  116. foi usada numa obra de Baxter Orr,

  117. Fairey ameaçou processar.

  118. E finalmente, Steve Jobs que algumas vezes

  119. se orgulhava da tradição de copiar na Apple.

  120. "Temos sido sempre desavergonhados

  121. a roubar grandes ideias."

  122. Mas ele guardava grandes rancores a quem

  123. se atrevesse a copiar a Apple.

  124. "Vou destruir o Android, porque

  125. é um produto roubado. Estou disposto a criar

  126. uma guerra termonuclear por isto."

  127. Quando copiamos, justificamos.

  128. Quando outros nos copiam, abominamos.

  129. A maioria de nós não tem problemas com o copiar...

  130. desde que sejamos nós a fazê-lo.

  131. Assim, cegos quanto à nossa própria imitação,

  132. e impulsionados pela fé nos mercados e na propriedade,

  133. a propriedade intelectual cresceu

  134. para além do seu âmbito inicial, com

  135. interpretações mais amplas de leis existentes,

  136. nova legislação,

  137. novas áreas de cobertura

  138. e recompensas atractivas.

  139. Em 1981 George Harrison perdeu

  140. 1,5 milhões de dólares num processo por "inconscientemente"

  141. copiar o êxito de doo-wop, "He's so Fine"

  142. na sua balada, "My Sweet Lord."

  143. Antes disto, muitas músicas soavam

  144. muito mais ao mesmo que outras canções

  145. sem acabarem nos tribunais.

  146. Ray Charles criou o protótipo da musica soul

  147. quando baseou "I Got a Woman"

  148. na canção gospel "It Must be Jesus."

  149. A partir do final dos anos 90,

  150. uma nova série de leis de direitos de autor e

  151. regulamentos começaram a ser introduzidos...

  152. ...e muitos mais estão para vir.

  153. O mais ambicioso na abrangência são os acordos comerciais.

  154. Uma vez que estes são tratados, não leis,

  155. podem ser negociados em segredo,

  156. sem referendo público ou aprovação do congresso.

  157. Em 2011 o ACTA foi assinado pelo Presidente Obama,

  158. e o Acordo Trans-Pacífico de Parceria Económica,

  159. a ser actualmente escrito em segredo,

  160. almeja espalhar ainda mais

  161. o estilo Americano de protecções pelo mundo.

  162. É claro que, quando os próprios Estados Unidos

  163. eram uma economia em desenvolvimento,
    recusavam-se a assinar tratados

  164. e não tinham qualquer protecção para autores estrangeiros.

  165. Charles Dickens queixou-se memoravelmente sobre

  166. o agitado mercado de pirataria de livros nos EUA,

  167. tendo dito "é terrível

  168. que livreiros sem escrúpulos possam enriquecer."

  169. O âmbito das patentes passou de

  170. invenções físicas para virtuais,

  171. em particular, de software.

  172. Mas esta não é uma transição natural.

  173. A patente é um esquema detalhado de

  174. como se cria uma invenção.

  175. As patentes de software são mais

  176. uma descrição livre de como algo seria

  177. se fosse realmente inventado.

  178. E as patentes de software são escritas

  179. na linguagem mais vaga possível

  180. para obter a proteção mais ampla possível.

  181. A indefinição destes termos pode por vezes

  182. chegar a níveis absurdos.

  183. Por exemplo, "máquina produtora de informação,"

  184. que abrange qualquer aparelho computacional, ou

  185. "objecto material," que abrange tudo e mais alguma coisa.

  186. A falta de clareza nos limites das patentes de software

  187. tornou a indústria de smartphones numa grande guerra territorial.

  188. 62 por cento de todos os processos de patentes são agora sobre software.

  189. A perda estimada de riqueza é de 500 mil milhões de dollars.

  190. A abrangência crescente da propriedade intelectual

  191. introduziu cada vez mais possibilidades

  192. para litígios oportunísticos — processar para ganhar uns trocos.

  193. Duas novas espécies evoluíram

  194. cujo modelo de negócio são os processos judiciais:

  195. trolls de "samples" e trolls de patentes.

  196. São empresas que não produzem rigorosamente nada.

  197. Adquirem uma biblioteca de direitos de propriedade intelectual,

  198. depois entram em litígio para obter lucro.

  199. E porque os custos de defesa legal

  200. são centenas de milhares de dólares em casos de direitos de autor

  201. e milhões em patentes,

  202. os seus alvos são habitualmente persuadidos

  203. a chegar a um acordo fora do tribunal.

  204. O troll mais famoso de "samples"

  205. é a Bridgeport Music,

  206. que já apresentou centenas de acções judiciais.

  207. Em 2005 ganharam uma influente

  208. decisão do tribunal sobre esta "sample" de dois segundos.

  209. E é isto. E não só é a "sample" curta,

  210. como é praticamente irreconhecível.

  211. Essencialmente este veredicto significa

  212. que qualquer tipo de "sampling", não importa o quão pequeno, é ilegal.

  213. As colagens musicais baseadas em "samples"

  214. da idade de ouro do hip-hop

  215. são agora incrivelmente caras de criar.

  216. Quanto aos trolls de patentes, encontram-se habitualmente

  217. no território conturbado do software.

  218. E talvez o caso mais inexplicável

  219. seja o de Paul Allen.

  220. É um dos fundadores da Microsoft,

  221. é um bilionário,

  222. é um prezado filantropo

  223. que se comprometeu a ceder grande parte da sua fortuna.

  224. E ele afirma que características básicas da web

  225. como os links relacionados, alertas e recomendações

  226. foram inventadas pela sua há-muito-extinta empresa.

  227. Assim, o auto-proclamado "homem das ideias"

  228. processou quase toda a gente em Silicon Valley durante 2010.

  229. E fez isto apesar de não ter falta nem de fama nem de fortuna.

  230. Recapitulando, o quadro completo é o seguinte:

  231. Acreditamos que as ideias são propriedade

  232. e somos excessivamente possessivos

  233. quando sentimos que a propriedade nos pertence.

  234. As nossas leis apoiam então esta tendência

  235. com protecções cada vez mais abrangentes

  236. e grandes recompensas.

  237. Enquanto isso, enormes custos legais

  238. incentivam os arguidos a pagar

  239. e chegar a acordo fora do tribunal.

  240. É um cenário desanimador,

  241. e que levanta a seguinte questão: e agora?

  242. A crença na propriedade intelectual

  243. tornou-se tão dominante que tem empurrado

  244. a intenção original dos direitos de autor e patentes

  245. para fora da consciência pública.

  246. Mas o seu propósito original continua

  247. mesmo à nossa frente.

  248. A lei de direitos autorais de 1790 é chamada

  249. "lei para incentivar a aprendizagem".

  250. A Lei de Patentes é

  251. "para promover o progresso das Artes úteis."

  252. Os direitos exclusivos que estas leis introduziram

  253. foram um compromisso para um bem maior.

  254. A intenção era melhorar a vida de todos

  255. incentivando a criatividade

  256. e produzindo um domínio público rico

  257. uma colecção de conhecimento partilhado, aberta a todos.

  258. No entanto, os próprios direitos exclusivos

  259. acabaram por tornar-se o mais importante

  260. e por isso foram reforçados e expandidos.

  261. E o resultado não tem sido

  262. mais progresso ou mais aprendizagem,

  263. tem sido mais combates e mais abusos.

  264. Vivemos numa época com problemas assustadores.

  265. Precisamos das melhores ideias possíveis,

  266. precisamos delas agora, que se espalhem rapidamente.

  267. O bem comum é um meme

  268. que foi esmagado pela propriedade intelectual.

  269. É necessário espalhá-lo novamente.

  270. Se este meme prosperar,

  271. as nossas leis, os nossos padrões, a nossa sociedade,

  272. todos eles se transformarão.

  273. Isso é evolução social

  274. e não depende de governos

  275. ou de empresas ou de advogados...

  276. Depende de nós.